Programa Nacional de Re-equipamento Científico

O Programa Nacional do Re-equipamento Científico foi previsto no âmbito do Programa Operacional Ciência Tecnologia Inovação do QCA III (2000-2006). Durante 2000-01 decorreu a preparação do lançamento do Programa, com trabalho técnico interno, comissões externas especializadas e consulta ao Conselho de Reitores das Universidades Públicas Portuguesas (CRUP), aos Laboratórios do Estado e aos Laboratórios Associados. Em Dezembro de 2001 foi aberto um concurso público de grande dimensão que encerrou em Abril de 2002.

Os projectos de equipamentos e infraestruturas são os mais difíceis de enquadrar e organizar no sector de C&T. Trata-se de investimentos materiais com elevadíssimos riscos de má aplicação do investimento público. Na verdade, é muito fácil identificar equipamentos científicos de elevada importância e custo e preparar candidaturas de aquisição correspondentes. Contudo, para assegurar a utilidade do investimento é absolutamente necessário ligar os equipamentos solicitados a programas e projectos de investigação de mérito elevado, o que requer procedimentos regulamentares de candidatura, avaliação e acompanhamento cuidadosamente definidos.

Assim, o Programa Nacional de Re-equipamento Científico visa prestar apoio financeiro a projectos de renovação, actualização e expansão de equipamentos científicos, com o objectivo de estimular:

·   a criação de uma rede coerente de equipamentos em instituições de investigação científica e tecnológica de competência e produtividade comprovadas em avaliações independentes;

·   o reforço das condições infraestruturais para actividades científicas de elevada qualidade e para a cooperação científica nacional e internacional;

·   a prática institucionalizada da partilha de recursos;

·   a disponibilização de equipamentos científicos de uso comum para utilização alargada pela comunidade científica;

·   o desenvolvimento de “laboratórios distribuídos” que permitam a utilização remota de instrumentos e o trabalho cooperativo por meios telemáticos, quando possível e desejável.

Uma vez organizada a malha das instituições de investigação científica e tecnológica, com novos modelos de funcionamento, avaliação internacional, financiamento e acompanhamento (ver PARTE III – INSTITUIÇÕES), o concurso foi claramente virado para estas instituições, nomeadamente: Laboratórios do Estado, Laboratórios Associados, unidades de investigação do Programa Plurianual de Financiamento de Unidades de I&D, as quais têm de garantir condições para a realização de programas científicos de elevada qualidade, atestadas, nomeadamente, pelas avaliações independentes conduzidas pelo MCT.

Ficou previsto que as candidaturas que visem a constituição de grandes equipamentos devem incluir descrições detalhadas das condições de disponibilização a entidades não envolvidas na candidatura.

Também ficou estabelecido que a FCT, com base nos relatórios dos painéis de avaliação, no conhecimento que disponha das necessidades e capacidades das instituições do país e nos contactos que entenda necessários com os proponentes de candidaturas avaliadas positivamente pelos painéis de avaliação ou com outras entidades, preparará as propostas de decisão de forma a assegurar em cada caso as melhores localizações e condições de disponibilização, promovendo se necessário a constituição de novas parcerias institucionais e a reorientação das propostas recebidas, inclusivamente quanto à localização dos equipamentos se tal for considerado apropriado.

No concurso que decorreu de Dezembro de 2001 a Abril de 2002 foram recebidas 423 candidaturas com uma solicitação global de 320 milhões de Euros.