\documentclass[a4paper,11pt]{article}

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\newcommand{\inst}{\vspace*{-3cm}
\hspace*{-1.5cm}\parbox[b]{2.5in}{\footnotesize 
\begin{center}
{\bf Instituto Superior Técnico\\
Departamento de Matemática\\
Secção de Álgebra e Análise}
\end{center}}
\vspace*{.5cm}}





\pagestyle{empty}
\reversemarginpar




\begin{document}
\inst

\vspace{-1cm}

\begin{center}
\Large{Análise Matemática III} \\
\smallskip
1º Exame e 2º Teste --
11 de Janeiro de 2002 -- 17 horas

{\bf Resolução}
\end{center}




\begin{enumerate}[{\bf 1.}]



\item 
Integrando primeiro em ordem a $y$ e depois em ordem a $x$
temos
\begin{eqnarray}
\nonumber
\iint_D f &=& \int_0^1 \int_{x^2}^{2x} yx \ dydx = \\
\nonumber
&=& \int_0^1 \left(2x^3 - \frac{x^5}{2} \right) \ dx =  \frac{5}{12} \ .
\end{eqnarray}





\item 
\begin{enumerate}[(a)]
%%%%%%%%%%  2a) %%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%
\item  A express\~ao para o volume de $V$ \'e dada por
$$
\int_0^1 \left( \int_0^1 \left( \int_{\sqrt{1-y^2}}^{\sqrt{(2-z)^2 - y^2}} dx\right) dy 
+ \int_1^{2-z} \left(  \int_0^{\sqrt{(2-z)^2 - y^2}}dx\right) dy \right) dz
$$
%%%%%%%%%%%%%%%  2b)  %%%%%%%%%%%%%%%%%%%%
\item A resposta \'e, utilizando coordenadas cil\'\i ndricas, 
\begin{align*}
\int_V f(x,y,z)dxdydz &= \int_0^{\pi/2} \left(\int_1^2  \left( \int_0^{2-\rho}  \rho^3 \cos (\theta) {\rm sen}\,(\theta)^2  dz \right)\rho d\rho   \right) d\theta 
\\ 
&= \left(\int_0^{\pi/2} \cos (\theta) {\rm sen}\,(\theta)^2 d\theta\right) \left( \int_1^2  \rho^4 (2-\rho) d\rho\right)\\
& = \left[\frac{{\rm sen}\,(\theta)^3}{3}\right]_0^{\pi/2} 
\left[\frac{2\rho^5}{5} - \left(\frac{\rho^6}{6}\right)\right]_1^2 =\frac{19}{30}.  
\end{align*}
\end{enumerate}



\item 
\begin{enumerate}[(a)]
%%%%%%%%%%%%%  3a)  $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
\item Temos que 
$$
\partial_1 f_2 = \partial_2 f_1 = (y^2 -x^2)/(x^2 +y^2)^4; \,\partial_2 f_3 = \partial_3 f_2 = 0; \, \partial_1 f_3 = \partial_3 f_1 = 0. 
$$

Portanto $f$ \'e fechado.

%%%%%%%%%%%%%  3b)  %%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%
\item

O trabalho de $f$ ao longo de uma circunfer\^encia horizontal  que d\^e a volta ao eixo dos $z$ n\~ao 
\'e zero pelo que $f$ n\~ao \'e um gradiente. Basta tomar $\alpha (\theta) = (\cos (\theta), {\rm sen}\,(\theta), 0)$ para obter 
$\oint fd\alpha = 2\pi \neq 0$.

%%%%%%%%%%%%%%%%%%%  3c)  %%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%
\item Separemos $f = g+h$ onde $g(x,y,z)= (\frac{-y}{x^2+y^2}, \frac{x}{x^2+y^2},0)$ e $h(x,y,z)= (x,y,z^2)$.

O arco de circunfer\^encia, chamemos-lhe $\gamma$, em quest\~ao est\'a contido no plano vertical $x=0$. Ora, 
o campo $g$ \'e perpendicular a este plano porque $g(0,y,z)=(-1/y,0,0)$. Logo o trabalho de $g$ \'e nulo ao longo do arco
 de circunfer\^encia pretendido.

Por outro lado, $h$ \'e claramente um gradiente em ${\mathbb R}^3$ com $h(x,y,z) = \nabla \phi (x,y,z)$ e $\phi (x,y,z) = (x^2+y^2)/2 + z^3/3$.

Os pontos inicial e final do arco de circunfer\^encia percorrido no sentido crescente dos $z$ são respectivamente 
$(0,\sqrt{3},-1)$ e $(0,\sqrt{3},1)$. Logo temos o trabalho,
$$
\int_\gamma f = \int_\gamma h = \phi(0,\sqrt{3},1) - \phi(0,\sqrt{3},-1) = 
\frac{2}{3}.
$$ 
\end{enumerate}




\item
A área do rectângulo é dada pela função $f(x,y)=4xy$. Devemos por isso
determinar o máximo de $f$ sujeito à restrição $x^2+4y^2=1$. 
Como $f$ é contínua e $\{(x,y)\in\bbr^2: x^2+4y^2=1\}$ é compacto,
o problema tem solução.
Aplicando o método dos multiplicadores de Lagrange, e atendendo a que 
$x=y=0$ não é solução do sistema, vem
\[
\left\{\begin{array}{lll}
                4y+2\lambda x & = & 0 \\
                4x+8\lambda y & = & 0 \\
                x^2+4y^2      & = & 1
        \end{array}\right.
\Rightarrow
\left|\begin{array}{ll} 
        2\lambda & 4\\ 
        4 & 8\lambda
\end{array}\right| = 0
\Leftrightarrow \lambda = \pm1.
\]
Resolvendo  as primeiras equações para $\lambda = \pm1$  obtemos $x=\pm 2y$.
Substituindo na última equação vem
$$
(x,y)\in\left\{\left(\frac{1}{\sqrt{2}},\frac{1}{2\sqrt{2}}\right),
\left(\frac{1}{\sqrt{2}},-\frac{1}{2\sqrt{2}}\right),
\left(-\frac{1}{\sqrt{2}},\frac{1}{2\sqrt{2}}\right),
\left(-\frac{1}{\sqrt{2}},-\frac{1}{2\sqrt{2}}\right)\right\}.
$$ 

Como  $|f(\pm\frac{1}{\sqrt{2}},\pm\frac{1}{2\sqrt{2}})|=1$  concluímos que o 
maior rectângulo inscrito na elipse tem área~$1$.

\vspace{1cm}

\item

\begin{enumerate}[(a)]
\item
Seja $G(x,y,z)=y+x^2+z^2-4$. Temos
\[
S=\{(x,y,z)\in S: (x,y,z)=0,\,\,0 < y < 3\},
\]
e $DG(1,2,1)=(\begin{array}{ccc}2&1&2\end{array})\neq
(\begin{array}{ccc}0&0&0\end{array})$. Logo o espaço
normal no ponto  $p~=~(1,2,1)$ é
\[
\left(T_pS\right)^\perp=\left\{(2\lambda,\lambda,2\lambda):\lambda\in\bbr\right\}.
\]
\item
\begin{enumerate}[(i)]
\item Sejam $P_1$ e $P_3$ as superfícies planas definidas por
\begin{align*}
P_0 = & \{(x,y,z)\in\bbr^3: x^2+z^2 < 4\, , \, y=0\}\\
P_1 = & \{(x,y,z)\in\bbr^3: x^2+z^2 < 1\, ,\, y=3\}\\ 
\end{align*}
e seja ${\bf n}$ a normal unitária exterior ao sólido $V$
limitado por $S\cup P_0\cup P_1$ . Pelo
teorema da divergência, temos
\[
\iint_{S}{\bf F}\cdot {\bf n} + \iint_{P_0}{\bf F}\cdot {\bf n} +
        \iint_{P_1}{\bf F}\cdot {\bf n} = \iiint_V\nabla\cdot{\bf F}=0, 
\]
pois $\nabla\cdot{\bf F}=0$. Ora, temos  ${\bf F}\cdot {\bf n}=0$, em $P_0$, e
${\bf F}\cdot {\bf n}=3$, em $P_1$, logo
\[
\iint_{S}{\bf F}\cdot {\bf n} = - \iint_{P_1} 3 = -3\operatorname{vol}_2(P_1)
                                = -3\pi.
\]





\item
Consideremos a parametrização 
$g(\rho,\theta)=(\rho\cos\theta,4-\rho^2,\rho\sen\theta)$, 
$(\rho,\theta)\in ]1,2[\times]0,2\pi[$, para $S$. 
Temos
\[
\frac{\partial g}{\partial \rho}\times\frac{\partial g}{\partial \theta}=
\left|\begin{array}{rrr}e_1&e_2&e_3\\\cos\theta&-2\rho&\sen\theta\\
-\rho\sen\theta&0 &\rho\cos\theta\end{array}\right|
= (-2\rho^2\cos\theta, -\rho, -2\rho^2\sen\theta).
\]
Como esta normal aponta para o interior do sólido $V$, vem
\begin{align*}
&\iint_S{\bf F}\cdot{\bf n}  = \\
&=\int_1^2\left(\int_0^{2\pi}
\left(\rho^2\sen^2\theta, 4-\rho^2, 2\rho\cos\theta-\rho\sen\theta\right)\cdot
        \left(2\rho^2\cos\theta, \rho, 2\rho^2\sen\theta\right)d\theta
      \right)d\rho\\
& = \int_1^2\left(\int_0^{2\pi}\left(4\rho-\rho^3-2\rho^3\sen^2\theta\right)
d\theta\right)d\rho\\
& = 2\pi\left[2\rho^2-\frac{\rho^4}{2}\right]_1^2\\
& = -3\pi.
\end{align*}







\item
Pretendemos agora aplicar o teorema de Stokes para calcular o fluxo
do campo vectorial ${\bf F}$. 
Recorde-se que $\nabla \cdot {\bf F}=0$. Como  ${\bf F}$ está definido em
$\bbr^3$, que é um conjunto em estrela, concluímos que ${\bf F}$ é um campo
rotacional. Se ${\bf A}$ é um potencial vector para ${\bf F}$, i.e., se 
${\bf F}= \nabla \times {\bf A}$, então devemos ter
\[
\left\{ \begin{array}{l}
        \frac{\partial A_3}{\partial y} - \frac{\partial A_2}{\partial z} 
 =  z^2 \\
        \frac{\partial A_1}{\partial z} - \frac{\partial A_3}{\partial x} 
 =  y \\
        \frac{\partial A_2}{\partial x} - \frac{\partial A_1}{\partial y} 
 =  2x-z
        \end{array} \right. 
\]
Como é sabido, o facto de o potencial vector estar definido a menos de
um gradiente permite-nos sempre supor que uma das
componentes deste se anula. Escolhemos por exemplo $A_1=0$. 
Então obtemos
\[
\left\{ \begin{array}{l}
        \frac{\partial A_3}{\partial x}  =  -y \\
        \frac{\partial A_2}{\partial x}  =  2x-z \\
        \frac{\partial A_3}{\partial y} - \frac{\partial A_2}{\partial z} = z^2
        \end{array} \right. 
\Leftrightarrow
\left\{ \begin{array}{l}
        A_3 = -xy+f(y,z)  \\
        A_2  = x^2-xz + g(y,z) \\
        \frac{\partial f}{\partial y}-  \frac{\partial g}{\partial z}
                         =  z^2
        \end{array} \right.
\]
Portanto podemos por exemplo escolher $g=0$ e $f=yz^2$. 
Um potencial vector  para $F$ é então
\[
{\bf A}=(0,x^2-xz,yz^2-xy).
\]

Aplicando o teorema de Stokes, vem
\[
\iint_{S}F\cdot n = 
\iint_{S}\nabla\times {\bf A}\cdot n =
\int_{\partial S}{\bf A}\cdot d\alpha,
\]
onde $\alpha$ é um caminho que percorre $\partial{S}$ no sentido
compatível com a normal exterior $n$, e $\nabla\times {\bf A}$ representa
o rotacional de ${\bf A}$.
Ora, 
\begin{align*}
\partial S
 & =  C_1\cup C_0\\ 
& = \left\{(x,y,z)\in\bbr^3: x^2+z^2 = 4,\,\,y=0\right\}
\cup \left\{(x,y,z)\in\bbr^3: x^2+z^2 = 1,\,\,y=3\right\},
\end{align*}
pelo que $\alpha$ percorre $C_0$ no sentido positivo e
$C_1$ no sentido negativo, em relação a um observador no ponto $(0,4,0)$. 
Assim, temos
\begin{align*}
\int_{\partial S}A\cdot d\alpha   = &
\int_0^{2\pi}(0,4\cos^2t-4\cos t\sen t, 0)
\cdot(-2\sen t, 0, -2\cos t)dt\\
&+ \int_0^{2\pi}(0, \cos^2 t-\sen t\cos t,3\sen^2t-3\cos t)
\cdot(-\sen t,0,\cos t)dt\\
  = &\,-\int_0^{2\pi}3\cos^2t dt \\
= & -3\pi.
\end{align*}
\end{enumerate}
\end{enumerate}


\item
As funções 
\begin{equation}
f_n(x,y,z) = \left\{ \begin{array}{lr}  \frac{\sen\left(x^2 + y^2/4 + z^2\right)}{\left[x^2 + y^2/4\right]^2} \  & {\rm para} \ (x,y,z) :  x^2 + \frac{y^2}{4} \leq n^2 \\
0 & {\rm para} \ (x,y,z) :  x^2 + \frac{y^2}{4} > n^2
\end{array} \right.
\end{equation}
são, para todo o $ n$, contínuas num compacto e zero fora do compacto
pelo que são integráveis em $D$. Por outro lado a sucessão
$\{f_n\}$ converge para $f$ em toda a parte em $D$. A sucessão
não é no entanto monótona qtp em $D$ pelo que tentaremos aplicar
o teorema de convergência dominada de Lebesgue. Para
$h(x,y,z) = \frac{1}{\left[x^2 + y^2/4\right]^2}$ temos 
$
|f_k| \leq h, \forall k \in \bbn$, em $D$.
Para mostrar a integrabilidade de $f$ falta mostrar que
$h$ é integrável. 
Consideremos a sucessão  $\{h_ k\}$ de funções integráveis
construída de forma análoga a (1)
$$
h_n(x,y,z) = \left\{ \begin{array}{lr}  \frac{1}{\left[x^2 + y^2/4\right]^2} \  & {\rm para} \ (x,y,z) :  x^2 + \frac{y^2}{4} \leq n^2 \\
0 & {\rm para} \ (x,y,z) :  x^2 + \frac{y^2}{4} > n^2
\end{array} \right.
$$
Esta sucessão é monótona crescente e converge em toda a parte em $D$
para $h$. Para mostrar,  pelo teorema de convergência monótona
de Levi, que $h$ é integrável falta mostrar que a sucessão
numérica $\{ \iiint_D h_k \}$ é majorada. Fazendo a transformação
de coordenadas
$$
g \ : \  \left\{ \begin{array}{lll} 
x & = & \rho \cos(\theta) \\
y & = & 2 \rho \sen(\theta) \\
z & = & z
\end{array} \right.
$$
com ${\rm det}(Dg) = 2 \rho$ temos
$$
\iiint_D h_k = \int_{-1}^1 \int_0^{2\pi} \int_1^{k} 
\frac{1}{\rho^4} 2 \rho \ d\rho d\theta dz   = 
8 \pi \frac{1}{2}\left(1 - \frac{1}{k^2} \right) < 4\pi \ , \ \forall k \in \bbn \ .
$$
Assim $h$ é integrável e portanto $f$ também é integrável em $D$.
Por outro lado 
$$
\iiint_D h = \lim_{k \rightarrow \infty} \iiint_D h_k
=  \lim_{k \rightarrow \infty}
4 \pi \left(1 - \frac{1}{k^2} \right) = 4\pi
$$
e, uma vez que $|f| \leq h$ em $D$, temos 
$|\iiint_D f | \leq \iiint_D |f| \leq \iiint_D h = 4\pi$.
Logo,
o integral $|\iiint_D f | $  é majorado por $4\pi$.
\end{enumerate}
\end{document}

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%%% TeX-master: t
%%% End: 

